domingo, 12 de dezembro de 2010

Tous les chemins mènent à Paris

Todos os caminhos levam a Paris

Parece que nessa reta final de preparação para a viagem eu sinto tantas vibrações que me deixam ainda mais conectada a essa experiência.  Ontem mesmo liquei a TV despretensiosamente e me deparei com a mais linda história do filme Paris Je T’aime (2006).  O curta, ambientado no 14ème arrondissement, conta a história de uma turista americana solitária, que viaja à Paris para conhecer a cidade com a qual sempre sonhou. A descoberta de Paris, narrada pela própria personagem, me parece tão familiar que é como se eu estivesse lá vivendo todas aquelas coisas e refletindo sobre a vida junto com ela. O texto já é perfeito, mas a atuação de Margo Martinale, dirigida por Alexander Payne, deixou o 14ème melhor impossível.

O texto que encerra o curta também é de chorar.

"Et puis, quelque chose est arrivé, quelque chose difficile à décrire assise là et être seule dans un pays étranger , loin de mon travail et de tous les gens que je connais. Un sentiment est venu à moi. C’était comme si je me souvenais de quelque chose que je n’avais jamais connu , que j’avais attendu toujours, mais je ne savais pas quoi. Peut-être c’était quelque chose que j’avais oublié, quelque chose qui m’a manque toute ma vie seulement je peux vous dire que j’ai senti en même temps la joie et la tristesse, mais pas trop de tristesse puisque je me sentais vivante. Oui vivante…Ça c’était le moment ou j’ai commencé aimer Paris et le moment que j’ai senti que Paris m’aimait aussi".

"E então algo aconteceu, algo difícil de descrever sentada ali sozinha, em um país estrangeiro, longe do meu trabalho e de todas as pessoas que eu conheço. Um sentimento veio até mim. Era como se eu lembrasse de algo que eu nunca conheci, ou que eu sempre esperei, mas eu não sabia o quê. Talvez fosse algo que eu havia esquecido, ou alguma coisa que me faltou a vida toda. O que posso dizer é que senti alegria e tristeza ao mesmo tempo, mas nem tanta tristeza, porque senti que estava viva. Sim, viva. Foi naquele momento que eu comecei amar Paris e o momento em que senti que Paris também me amava".

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Aprendendo com os quadrinhos!

Demorou, mas finalmente consegui uma cópia da matéria feita para a Oficina de Jornalismo da Record na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre. O assunto é a utilização das histórias em quadrinhos como recurso pedagógico. Agradecimento especial para o Juliano Jaques, que conseguiu recolocar uma trilha toda bonitinha!

Voilà!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Semana emocionante

A semana que passou, coladinha no show do Paul MacCartney, me pegou pelas pernas e deixou saudade. Não quero nem falar sobre o show porque tenho um sério problema com o passar o tempo sobre as coisas que vivi. É como se eu evitasse escutar as músicas do Paul, porque sentirei muita saudade e sofrerei.  Anyway, por isso resolvi dedicar o post à segunda coisa mais emocionante da última semana: minha participação na Oficina de Jornalismo da TV Record.
Produção atrás de fontes
Não sou sentimental só com o que diz respeito aos relacionamentos amorosos, familiares e de amizade. Sou uma emotiva também nas questões profissionais. E por mais que eu critique a ingratidão do jornalismo, me esforço muito para um dia alcançar meus objetivos nele.
Todos sabem que meu interesse número um é TV, mas como há mais de um ano não trabalho nessa área, estava com medo de ter perdido a afinidade com produção, reportagem, texto e edição.  Na oficina, contudo, constatei que minha paixão pelo telejornalismo está mais viva do que nunca e até resolvi acreditar que levo jeito pra coisa. É claro, também fiquei muito feliz porque matei a saudade da reportagem. Matei não, dei uma amenizada.
Eliza, Juliano, Ananda e Fabiane
Divididos em dois grupos de quatro integrantes discutimos pautas, fomos à externa, redigimos texto, editamos imagens e conhecemos todo o funcionamento da emissora. Cada grupo, com um repórter, produtor, editor de texto e editor de imagem fez uma matéria pautada pela 56ª Feira do Livro de Porto Alegre.  O meu grupo decidiu falar sobre a utilização das histórias em quadrinhos como recurso pedagógico.
A chance de avaliar com calma as reportagens finalizadas também foi preciosa, já que dificilmente é possível fazer uma reflexão dessas na correria da redação. O produto final foi muito satisfatório e pretendo postá-lo aqui assim que eu conseguir o dvd!
Os coordenadores Rodrigo Falcão e Pedro Calvi
Depois daqueles cinco dias de imersão, admito que a vontade foi de ficar. Como faço estágio em órgão público há um ano, volta e meia me sinto embuída daquele ambiente e às vezes esqueço do que gosto de verdade. Coisas que a Oficina me relembrou. Saúdo muito a iniciativa do Grupo Record pelas oficinas da TV Record, Rádio Guaíba e Correio do Povo. Tenho certeza de que serviu de combustível para todos!

domingo, 31 de outubro de 2010

Clichês à francesa

Existem vários estereótipos culturais entre franceses e brasileiros. Aqui no Brasil, temos a imagem de que eles são rudes, elegantes, com seus lenços e boinas, que vivem com um baguette embaixo do braço e que não gostam de tomar banho, por isso criaram os melhores perfumes. No mundo, existe ainda a ideia de que os franceses, se não estão em greve, estão em férias. Embora exagerados, todos esses estereótipos tem um fundo de verdade. E moi, eu só saberei o quanto isso tudo é mito ou verdade, quando finalmente aterrissar na terra do fromage e ativar meu pariscópio. 

Nosso país também possui uma imagem estereotipada no exterior (com essa onda de mulheres-fruta, nem sei se é tão estereotipada assim), consolidada principalmente pelas campanhas de turismo da Embratur, que exploravam a sensualidade das mulheres em suas campanhas de turismo. Associa-se ao Brasil a ideia de praias, carnaval e mulher pelada. Na França, ainda existe o mito de que há muito travesti por aqui. Isso porque existem muitos travestis em Paris e a maioria vem do Brasil. Lá, a artista brasileira mais popular dos últimos tempos atende pelo nome de Salomé de Bahia. A brasileira, radicada em Paris, é produzida por Bob Sinclar (aquele de Love Generation) e mistura pop, bossa nova, dance e imagens carnavalescas, de praias e de futebol = o próprio clichê! O pior é que, segundo um amigo francês, o povo pensa que esse é o estilo musical que domina as terras tupiniquins. 
Pior ainda é quando a mídia retrata essas aberrações como realidade absoluta e ainda tripudia, como aconteceu na série de reportagens do Le Petit Journal. No primeiro turno das eleições, a equipe de reportagem veio ao Brasil fazer uma série de matérias sobre o pleito.  Foi lamentável, entrevistaram um travesti fazendo top less e até a candidata Mulher Melão, contribuindo ainda mais com a imagem de que aqui não existe seriedade sequer na política – ok, depois da eleição do Tiririca, não temos moral para reclamar.
Quando converso com o Cédric pelo MSN, falamos muito sobre as diferenças culturais entre França e Brasil, e  alguns estereótipos. Ele fica impressionado, por exemplo, com o “corpo a corpo” entre candidatos e eleitores - algo que é impraticável na França. Eu tento explicar que abraço é uma demonstração de carinho, sem vulgaridade; que fio dental é normal nas praias brasileiras (o que o deixa horrorizado) e que nem todas as mulheres são vulgares. Ele, por sua vez, tenta me convencer de que os franceses tomam banho todos os dias, que não fumam tanto e que não são tão rudes quanto parecem. 
Aproveitando o ensejo, voilà um curta-metragem realizado por Cédric Villain, em que ele brinca com os clichês sobre a França retratados no exterior.  A animação é muito digna e verdadeira. Mesmo sem entender francês, é possível fazer uma leitura visual e dar boas risadas, principalmente quando o locutor diz que o monumento mais famoso da capital é uma antena, que lá todos têm uma vista para a Torre Eiffel e que o som do acordeon está em todos os lugares. En regardez! 


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Le Refuge

Uma forma nada óbvia de tratar da maternidade. É assim que François Ozon nos apresenta a história de Mousse, interpretada vigorosamente pela atriz francesa Isabelle Carré. Após sofrer uma overdose de heroína com o namorado Louis (Melvil Popaud), a jovem recebe a notícia de sua gravidez e da morte do parceiro. Mesmo contra a vontade da família do rapaz, que não gostaria que Louis tivesse descendentes, ela resolve assumir o filho sozinha. Sua decisão se justifica por acreditar que, dessa forma, estará mais perto do namorado morto (que era bonito demais para morrer). Dá-se, então, o que eu acredito ser o principal dilema do filme: o desejo de gravidez em uma mulher que tem consciência de que não está preparada para ser mãe. 
Na sequência, a personagem deixa a capital francesa e refugia-se em uma bela casa no litoral, onde parece levar uma vida muito simpática, com cafés da manhã no jardim e tudo. Como ela consegue dinheiro? On sait pas! Aliás, de sua vida, quase nada se sabe, mas isso não acarreta prejuízos à história. Mousse consegue levar uma vidinha pacata, tomando alguns remédios anti crises de abstinência, até que recebe a visita de Paul (Louis-Ronan Choisy) irmão de Louis, que chegou para passar uns dias. Apesar de inicialmente contrariada pela sua presença, Mouse acaba se apegando no rapaz e deixa transparecer até um certo ciúme quando Paul aparece com um namorado da vizinhança. 
Era evidente que Paul estava ali por alguma razão do “destino-roteiro”, que se explica no final da trama. O mesmo acontece com o dilema de Mousse, de querer ter o filho, mas não querer ser mãe. Sua gestação é explorada de uma forma diferente da que estamos acostumados a ver no cinema médio. Até porque, neste a grávida é a protagonista. Asssitir à personagem dançando, transando, sendo embalada por um desconhecido, tomando cerveja irresponsavelmente enriqueceu o tema "grávidas no cinema", acredito. 
E merecido destaque para a atuação de Isabelle Carré, que carregou o filme nas costas, com 24 semanas de gestação. SIM, ela estava grávida de verdade e aquela barriga não vai ganhar o Oscar de melhor maquiagem ever. Enquanto ela aparecia desnuda, os comentários na poltrona eram “bah, mas que barriga perfeita”; “ela engordou mesmo hein!; “olha isso, a única explicação é ela estar grávida mesmo!”. De fato. 
Ozon revelou que, por esse motivo, Le Refuge teve um ritmo de filmagens muito rápido, inédito em sua carreira; e que para aceitar o papel, Isabelle pediu que o refúgio fosse no País Basco, onde mora sua família. Eu sei que a maquiagem cinematográfica está muito avançada e que outra francesinha poderia encarnar o papel, mas a gravidez de Isabelle foi um trunfo para a película. Graças à cegonha, apreciamos cenas belíssimas carregadas de verdade, como quando Mousse caminha na praia de biquíni exibindo seu lindo barrigão ou quando interpreta a cena de banheira mais linda dos últimos tempos. Apesar da história ser triste, não a considerei dramática. Assim como houve morte e vida, houve um equilíbrio entre momentos tristes, contidos e engraçados.